Para entender a crise urbana

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Ermínia Maricato e a capa do livro

“Ninguém vive só dentro de casa: vive na cidade”. A constatação faz parte da apresentação do livro “Para entender a crise urbana“, de Ermínia Maricato. Compilação de artigos e entrevistas da autora, uma das mais renomadas e atuantes arquitetas e urbanistas do Brasil, o livro traz números e estatísticas inquietantes.

Inquietantes porque preocupantes e quase sempre invisíveis e até relegadas ao segundo plano. Para início de conversa (o que não é nenhuma novidade), o Brasil vem migrando para as cidades. “Na década de 1960, o Brasil tinha 44,67% da população das nas cidades (Censo IBGE). Em 1980, já eram 67,59%. Houve um acréscimo de cerca de 50 milhões de pessoas nas cidades, e os problemas urbanos se aprofundaram”, cita a autora.

E os números do IBGE demonstram o resultado desta ocupação – se não desordenada, pessimamente planejada -:

Em São Paulo que se autoproclama “a maior cidade da América do Sul”, estima-se que as favelas abrigam 391 mil domicílios e mais de dois milhões de moradores, o equivalente a 11% da população da cidade.

Em todo o país, o número de brasileiros vivendo em habitações irregulares é de 11,4 milhões.

Além das questões de saneamento e moradias precárias, sem espaço onde numerosas famílias se amontoam em cubículos, outra questão é destacada por Maricato. Todo este batalhão precisa se deslocar dentro da cidade. E é aí que entra outro ponto nevrálgico: a mobilidade.

 

“O império do automóvel. Transporte coletivo em ruínas”

 

Sacolejando dentro de ônibus e trens precários, o paulistano sofre no seu dia a dia, no simples ato de sair de casa para trabalhar.

“O tempo médio das viagens em São Paulo era de 2 horas e 42 minutos. Para um terço da população, esse tempo era de mais de 3 horas. Para um quinto , era de mais de 4 horas”, cita Maricato. Isto quer dizer que ao fim de uma existência o resignado passageiro passou uma parte dentro de ônibus, metrôs e trens.

Mas a situação não penaliza somente quem não tem o tão sonhado carro próprio. Motoristas – e tanto faz o dono de um reluzente modelo de luxo quanto dos suscetíveis carros populares – também são vítimas deste nó no trânsito.

“Os congestionamentos de tráfego chegam a atingir 763,79 km de vias. A velocidade média dos automóveis em São Paulo, entre 17 e 20h em junho de 2012, foi de 7,6 km/h, ou seja, quase a velocidade de caminhada a pé.”

Crédito mais fácil e isenções fiscais dos últimos anos aumentaram o acesso ao carro próprio. “Em 2003, o número de automóveis em 12 metrópoles brasileiras era de 23,7 milhões e, em 2013, era de 45,4 milhões, ou seja, praticamente dobrou”. O resultado? Índices alarmantes de poluição do ar e sua trágica consequência na saúde da população em geral. “Aproximadamente 12% das internações respiratórias em São Paulo são atribuíveis à poluição do ar”.

Sem nos aprofundar aqui sobre a violência do trânsito, com estatísticas do Ministério da Saúde revelando que nos últimos cinco anos morreram em acidentes de trânsito 110 pessoas e mais de mil feridos diários. Destaque para os atropelamentos, com mais de 45% no total de acidentes.

 

Paradoxo dos investimentos públicos

 

Se a mobilidade é um dos pontos mais sensíveis da vida nas grandes cidades, a valorização também tem seus reflexos. Neste sentido, segundo Ermínia Maricato, a questão é paradoxal. A partir da retomada dos investimentos públicos em infraestrutura (habitação, saneamento e transporte urbano), a especulação correu solta e o preço dos imóveis ultrapassou a estratosfera.

“Entre janeiro de 2008 e janeiro de 2015, o preço dos imóveis subiu 265,2% no Rio de Janeiro, e 218,2% em São Paulo.”

A explicação, segundo a autora, “como a moradia é uma mercadoria especial (porque é vinculada à terra, uma condição não reproduzível) os subsídios incidiram no aumento do preço da terra”. Ou seja, o capital – leia-se as gigantes imobiliárias – ganha com a especulação.

Ermínia Maricato foi a secretaria-executiva do Ministério das Cidades, logo de sua criação no primeiro governo Lula, a partir de 2003. Junto com o ministro Olívio Dutra chegou a elaborar uma série de planos visando uma reforma urbana mais abrangente e duradoura.

Mas ficou no cargo até 2005, quando a série de alianças e negociações do governo, que enfrentava a crise do Mensalão, fez com que o ministério ficasse na cota do PP. Mas aí é outra história.

Recheado de números e gráficos, “Para entender a crise urbana” leva à reflexão e serve de auxílio para aqueles que pretendem fazer das cidades locais melhores para se viverem.

Ermínia Maricato esteve em Belo Horizonte participando do quinto módulo “A Questão Urbana no Brasil”, do Curso de Realidade Brasileira. Na ocasião também participou do º Fórum Mineiro do BrCidades, na Ocupação Pátria Livre.

Solução nas políticas públicas

“O problema não se resolve com a distribuição de renda ou do salário. Porque mais salário não compra o transporte coletivo, não compra uma boa localização na cidade, porque isso fica mais caro. Aumento salarial é absorvido pelo custo da cidade e isso só se resolve com políticas públicas”.

Esta é uma das proposições do livro e o desafio está lançado.

Sobre a autora:

Professora universitária, pesquisadora acadêmica, ativista política, ocupou cargos públicos na Prefeitura da Cidade de São Paulo, onde foi Secretária de Habitação e Desenvolvimento Urbano (1989-1992) e no Governo Federal, onde foi Secretária Executiva do Ministério das Cidades (2003- 2005) cuja proposta de criação se deu sob sua coordenação.

É professora aposentada pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo onde defendeu mestrado, doutorado, livre docência e aprovada em concurso para professora titular.

Fundadora do LABHAB- Laboratório de Habitação e Assentamentos Humanos da FAUUSP (1997); coordenadora do Curso de Pós Graduação da FAUUSP (1998-2002), e integrante do Conselho de Pesquisa da USP (2007)

Professor visitante do Human Settlements Centre da University of British Columbia,  Canadá (2002) e da School of Architecture and Urban Planning of Witwatersrand – Johannesburg/South Africa (2006).

 

Ficha técnica:
Autor: Ermínia Maricato
Número de páginas: 112
Editora: Expressão Popular

Mais informações no link da Expressão Popular

Contrabando e Comércio Ilegal, seminário em Foz do Iguaçu

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Jornalistas e blogueiros participaram do seminário, em Foz

A 12ª edição do ENECOB – Encontro Nacional de Editores, Colunistas, Repórteres e Blogueiros, e o 1º e-latino reuniram em Foz do Iguaçu de 15 a 17 de abril 40 jornais de cinco países da América do Sul. Com excelente retorno de mídia para as marcas parceiras ETCO e Itaipu.

ETCO – Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial – Conheça

Conheça a Itaipu Binacional – aqui

Com a ampliação da rede para a AL para 8 países, já participaram desse evento, com publicação de reportagens, o Clarín da Argentina, El País do Uruguai, Agência EFE da Espanha; ABC Color, Vanguardia, Última Hora e Diario Hoy do Paraguai, os maiores veículos desses países.

O ENECOB/e-latino já alcança uma rede de mais de 90 veículos na América do Sul.

Foi o segundo encontro do qual participei, sendo o primeiro em Porto Alegre com o tema “Exportação e Atração de Investimentos”.

Em Foz, o tema discutido foi “Contrabando e Comércio Ilegal—A ameaça transnacional do crime organizado no Cone Sul”

Em breve, publicarei ampla reportagem sobre o seminário e o tema em si. Aguarde!

Heraldo Leite

“Vídeo é o novo blog”

Está pensando em criar um blog para divulgar sua empresa, suas ideias e seus serviços?

Pois comece a pensar na criação de vídeos.

“Nova pesquisa mostra que vídeo é o novo blog”

Este é o título de um texto de Jay Baer, especialistas em Content Marketing.

A fim de reforçar esta tendência, seguem alguns dados de pesquisa realizada Vidyard – um site de gerenciamento de vídeos:

  •    Marcas criam em média 18 vídeos novos por mês em seus canais.
  •     53% dos vídeos feitos por empresas têm 90 segundos ou menos.
  •     Somente 10% dos espectadores assistem a vídeos até o fim quando eles têm mais de 30 minutos.

    Mas cuidado: nem todo vídeo faz sucesso. Somente 5% deles abocanham 77% das visualizações.

(Com informações da Tracto)

 

Carta Aberta – Pela criação de uma Conferência Nacional de Previdência Social

CARTA ABERTA

AO PRESIDENTE DA REPÚBLICA DO BRASIL

DEPUTADOS FEDERAIS E SENADORES

A Rede Ibero – Americana de Associações de Idosos do Brasil – RIAAM Brasil, com sede em Belo Horizonte – MG, vem acompanhando com grande preocupação o desenrolar das discussões sobre a Reforma da Previdência Social em curso no Parlamento Brasileiro, a forma como vem sendo conduzida e movida pelo Executivo e ignorada pelo Poder Judiciário de nosso País.

A Previdência Social que aí está é sólida, reconhecida mundialmente, pertencente ao povo Brasileiro. É um Patrimônio da Nação e vem cumprindo o seu papel perante os que dela necessitam, haja vista a sua perenidade, pois há mais de noventa anos vem promovendo distribuição de renda e proporcionando minimamente dignidade para os seus segurados. Por isso, não poderá ser feita uma reforma com a urgência que está sendo realizada, com outras mudanças na legislação brasileira sem uma ampla discussão com todos os segmentos da sociedade.

Temos ciência da importância de ajustes que precisam ser realizados na medida da necessidade e entendemos que este atual Congresso deverá sim, dar início à preparação dos trabalhos para se fazer tal Reforma. Neste sentido sugerimos a realização de uma Conferência Nacional de Previdência Social, precedida de Conferências Estaduais e Municipais a exemplo do que ocorre nos dois outros pilares da Seguridade Social, envolvendo desta forma toda a sociedade organizada brasileira nesta importante discussão. Sugerimos ainda a aprovação de Lei definindo que caberá ao próximo Congresso que será eleito em outubro de 2018, a responsabilidade de dar continuidade ao processo de mobilização iniciado no contexto das Conferências. Para maior conhecimento das políticas previdenciárias destacamos a necessidade de promover Audiências Públicas com a participação de especialistas em Direito Previdenciário para ajudar as pessoas no processo de discussão.

Depois de todas estas iniciativas, acreditamos ser possível concluir o processo da Reforma da Previdência Social, onde retomaremos o pensamento do então deputado Eloy Chaves quando da criação da Previdência Social no Brasil de que os recursos arrecadados pela Previdência Social deverão ser usados para os fins aos quais foi criada, estava já naquele momento, de forma embrionária instalada o princípio da Seguridade Social. Sendo assim, qualquer outro pensamento fere de morte a Previdência e compromete a segurança nacional.

Esperamos que a Vossa Excelência e todos os seus pares, juntamente com os parlamentares, ao lerem esta Carta Aberta mudem de atitude, reflitam sobre a responsabilidade de cada um perante as atuais e futuras gerações em aprovar proposta tão macabra e que com esta atitude correrão o risco de passar para a história como aqueles que destruíram um Sistema Previdenciário. Um modelo vital para o cidadão brasileiro e para a existência da maioria (mais de 70%) dos municípios brasileiros, onde os benefícios pagos pela Previdência Social geram maior receita que o Fundo de Participação dos Municípios – FPM.

Senhor Presidente e Parlamentares, como poderão constatar, a Previdência Social não é importante somente para seus segurados (ativos e aposentados). Ela é também imprescindível para a manutenção do sistema político em todas as suas esferas, principalmente para a Democracia brasileira.

Atenciosamente,

Mídias sociais vão decidir as eleições?

urnaUma campanha eleitoral pobre e de tiro curto. Pobre, por que os recursos – aparentemente – deverão estar mais escassos. A nova legislação proíbe a doação de empresas. Além disso, os olhos do eleitor vão estar mais atentos quanto à ostentação e à apresentação de propostas que possam ser realizadas e saiam do terreno das promessas.

Campanha de tiro curto porque serão apenas 47 dias, contra três meses das eleições anteriores. A propaganda eleitoral começa no dia 16 de agosto. Confira o calendário eleitoral no site do TSE

http://www.tse.jus.br/eleicoes/eleicoes-2016/calendario-eleitoral

A propaganda começa, oficialmente, no dia 16 de agosto

Assim, todas as apostas estão sendo feitas nas redes sociais. Mas será que os candidatos (e em contrapartida os eleitores) sabem lidar com as mídias sociais? Quem não fez um bom trabalho anterior e não tem uma boa imagem e presença nas redes e na vida da comunidade, não serão 45 dias tuítando e colocando selfies no Facebook que irão eleger alguém.

Afinal, as Mídias Sociais vão decidir as eleições?

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Abaixo, pinçamos algumas orientações básicas:

  • Oriente sobre a importância do voto consciente;
  • Questione seus seguidores sobre que tipo de propostas eles teriam para apresentar;
  • Divulgue sua agenda eleitoral e locais onde poderá ser encontrado;
  • Use o seu Twitter da campanha eleitoral como uma vitrine das eleições e não somente da sua candidatura.

E mais:

Mídias sociais requerem pessoalidade:

Leveza, troca de ideias, dicas interessantes.

Quer saber como as mídias sociais podem auxiliar em uma campanha eleitoral? Estamos preparando material específico.

Faça sua pergunta e saiba mais pelo e-mail falecom@webmilk.com.br