“O Globo” promove mudanças e une impresso e on-line

Às 8h, editores na primeira reunião que vai decidir as "apostas" do dia
Às 8h, editores na primeira reunião que vai decidir as “apostas” do dia

Sai a figura do boêmio, que acorda tarde e vara a noite no trabalho.

Entra a figura do trabalhador diurno, que bate ponto cedo e às 7h já está no batente.

De todas as transformações vividas pelo jornalismo – em essência a profissão de jornalista – as mudanças implementadas pelo jornal “O Globo” talvez seja as mais emblemáticas. Daquelas que encerram um ciclo, sem que ao menos a gente saiba se o quê está pela frente.

Desde o dia 24 de março, o tradicional jornal da família Marinho revela que “adotou um modo diferente de produzir conteúdo, acompanhando os acontecimentos e aprimorando sua abordagem ao longo do dia.”

Segundo editores e responsáveis pelas mudanças, o jornal tem uma proposta que se chama “edição contínua”.  Ou, de acordo, com os responsáveis:

“O trabalho diário é organizado a partir de três reuniões. Às 8h, o enfoque é nas plataformas digitais. Os editores definem os temas do dia e as apostas da web. Decidem as atualizações de manhã e como elas serão distribuídas em suas equipes.

Ao meio-dia os editores analisam o andamento da produção e os temas principais da edição impressa.

O jornal de papel ganha cara a partir das 16h, quando os editores propõem quais são os destaques de suas áreas e os editores-executivos elaboram a primeira página, a partir de mais uma reunião. É nela também que se define como será a home page do site às 6h do dia seguinte.”

Sociedade

Além das novidades em termos de horários e concepção, “O Globo” ganhou também uma nova editoria; Sociedade. Segundo os idealizadores:

“A Sociedade vai centralizar as coberturas que, antes, ficavam dispersas em outras editorias, o que não permitia a especialização do repórter, nem o aprofundamento da notícia. O leque da seção contém, por exemplo, novas abordagens ligadas à educação e ao meio ambiente.”

Há, também, apostas no videojornalismo e na interação com as redes sociais.

“A equipe de videojornalismo, formada por dez jornalistas, produzirá reportagens próprias que vão complementas as pautas desenvolvidas pelas outras editorias.”

Análise

* A tendência do jornal impresso é ficar mais analítico. Para isso, já foram contratados novos colunistas. Entre eles, Frei Betto e o ex-jogador Paulo Cézar Caju (só para ficar nos mais polêmicos)

* Esta análise tem mesmo de ser ampla com pena de o jornal reforçar a pecha de tendencioso que vem enfrentando nos últimos anos.

* Um dos conceitos do novo formato e exigência aos novos profissionais é a memória. Ou seja, o profissional será estimulado a correlacionar fatos, pessoas e circunstâncias. Ponto para os jornalistas mais experientes. Se os mais novos têm mais facilidade com as novas tecnologias, os mais velhos terão seu valor reconhecido e estimulado.

(o link, com a reportagem completa, está aqui http://oglobo.globo.com/pais/e-tempo-de-uma-nova-forma-de-fazer-noticia-12100886

(Heraldo Leite)

 

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