Eleições e redes sociais: a vez da internet

Campanha dos três S: suor, saliva e sola de sapato. Este é o panorama para as eleições municipais, em outubro. Pode ser a eleição das redes sociais.

eleições e redes sociaisCom menos dinheiro, uma vez que as doações de empresas estão proibidas; e com menos tempo – 45 dias em vez dos três meses habituais, especialistas em marketing eleitoral e analistas políticos garantem que a internet será fundamental.

A verba promete ser curta. Os candidatos terão que gastar 70% do que gastaram na eleição anterior. Como é praxe – ilícita, diga-se de passagem – declarar que se arrecadou bem menos do que gastou, as campanhas tendem a ficar mais pobres.

Até 2012 a campanha nas redes sociais era vista como “complementar”. Partidos e políticos jogavam pesado nos programas de TV. Já em 2014, o Datafolha mostrou que 39% dos eleitores pesquisados disseram que a internet influenciou na escolha do candidato. Entre os pesquisados, 19% disseram que a internet “influenciou muito.”

39% dos eleitores disseram que a internet influenciou seu voto

Para este ano, segundo a legislação eleitoral, “não configura propaganda antecipada a menção à pretensa candidatura na internet (pré-candidatura), bem como a participação em debates e entrevistas na web ou mesmo a divulgação de posicionamentos sobre questões políticas nas redes sociais.”

No site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) você acessa o calendário e a legislação eleitoral 2016

http://www.tse.jus.br/eleicoes/eleicoes-2016/eleicoes-2016

É sempre bom lembrar que a lei proíbe campanhas pagas nas internet. De acordo com a legislação “Nem propaganda em sites de pessoas jurídicas, com ou sem fins lucrativos, e em sites oficiais ou hospedados por órgãos ou entidades da administração pública.”

Equipe

No entanto, uma campanha nas redes sociais exige planejamento e acompanhamento. Do contrário, não atingirá o eleitor. Uma dica importante é que é preciso alinhar sua prática, sua conversa (posts), com seu público e, principalmente, com seu perfil. É preciso que isso fique bem claro. Do contrário, parecerá fake (falso)

Uma equipe digital pode parecer cara para os padrões atuais, mas ela será indispensável para elaborar estratégias, propor ações e antecipar tendências, conversar com o eleitor, fazer diferente. E, sobretudo, monitorar o desempenho do candidato.

Assista a um debate sobre as eleições e redes sociais, na campanha de 2014, no programa ‘Sala de Imprensa’ da TV Assembleia
http://www.almg.gov.br/acompanhe/tv_assembleia/videos/index.html?idVideo=857061&cat=91

Eleições serão influenciadas pelas redes sociais?

urna

Então, o que pode e o que não pode quando se trata de eleições nas redes sociais?

O fato é que se não podemos ignorar o poder das redes sociais quando são exibidos seus números, também é fato que a maioria dos nossos candidatos e políticos também não sabem usar as mídias sociais.

No Brasil são mais de 65 milhões de pessoas conectadas, sendo que 23 milhões são eleitores, ou seja, 18% do eleitorado brasileiro, que tem entre 18 a 24 anos. (*)

Não se trata de um novo veículo ou da velha comunicação de massa com uma nova roupagem tecnológica. As redes são um fenômeno que impacta, entre outras coisas, conceitos como relacionamento, engajamento e compartilhamento.

Neste sentido, a simplória distribuição de “santinhos virtuais” ou um pedido de voto – mesmo acompanhado da exibição de fartos predicados – tende mesmo a ser rechaçada. E não se trata apenas de qualificar quem está nas mídias sociais como dotado de maior espírito crítico. É que a comunicação na web 2.0 é de mão dupla, a interação está a um clique do mouse. É assim que é a regra do jogo e é preciso aprender a jogar de acordo com estas novas regras.

Os números são recentes e mudam num piscar de olhos. Em 2010, era grande a expectativa de a internet influir nos resultados das eleições presidenciais. As previsões não se confirmaram e as fichas estão todas apostadas para este ano. No entanto, trata-se de uma aposta, sem que ninguém detenha fórmulas miraculosas.

Qualquer demanda nas redes sociais, seja de marketing político ou digital, exige trabalho. Apuração, mensuração, pesquisa, análise, tentativa e erro. Nada muito além disso.

O certo é que as redes sociais, sozinhas, não vão eleger ninguém. Também não há uma fórmula pronta, acabada e definitiva. Mas certamente aquele candidato que já vem trabalhando nas redes há mais tempo, leva certa vantagem. Não aquele que tem ‘zilhões’ de seguidores e fãs. Mas aquele que desceu do palanque, tirou o uniforme de candidato, e aprende, a cada dia, a conversar com as pessoas, de igual para igual. Lembram-se do conceito de relacionamento? Pois é…

(*) Números de 2012

Texto publicado, originalmente, no jornal ‘Minas Marca’